As vantagens do trabalho cooperado para profissionais e academias

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As vantagens do trabalho cooperado para profissionais e academias
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As vantagens do trabalho cooperado para profissionais e academias

O cooperativismo na área de educação física é um conceito que vem ganhando força, proporcionando ganhos para profissionais e empresários.

As relações de trabalho na área de fitness vêm passando por profundas transformações. Hoje, além do CREF – Conselho Regional de Educação Física, que fiscaliza a atuação dos profissionais de educação física, existem legislações mais completas e abrangentes, criadas para tornar essas relações mais profissionalizadas e justas, já que garantem que profissionais e empresas tenham seus direitos assegurados e cumpram também corretamente com seus deveres como empregado e empregador.

Nesse contexto, um movimento que vem ganhando força no setor são as cooperativas de profissionais de educação física. Embora o cooperativismo seja um conceito antigo no Brasil, na área de Educação Física as primeiras cooperativas criadas não resultaram em experiências positivas. Grande parte dessas entidades funcionava sem o devido registro na OCB (Organização das Cooperativas do Brasil) e também no CREF (Conselho Regional de Educação Física). Com isso, eram muitas as reclamações trabalhistas, desvirtuando um conceito que pode proporcionar, quando desenvolvido com seriedade, benefícios para empresários e profissionais.

Entretanto, atualmente, a situação é outra, especialmente na esfera jurídica. Hoje, as academias podem contratar o trabalho de profissionais cooperados com grandes vantagens.

Além da Lei Federal n. 5.764/71, que norteia a administração das cooperativas de trabalho, existe a Lei Federal no 10.666/03 (regulamentação especial do regime previdenciário) e a Lei Estadual no 12.226/06 (política de incentivo ao cooperativismo no Estado de São Paulo). Portanto, as cooperativas atualmente constituídas só podem operar mediante autorização da OCB, além de passar por programa de auditoria com duração de um ano. Após a conclusão do programa é que recebem oficialmente certificação e autorização para registrar os atos constitutivos na JUCESP (Junta Comercial do Estado de São Paulo).

Como revelou Robson Cassiano Mendes, diretor-presidente da Coopfit – Cooperativa de Profissionais de Educação Física, criada em 2004, a partir da união de 20 profissionais da área de educação física, o trabalhador cooperado no mercado fitness pode atuar em todas as áreas da academia, ministrando e prescrevendo aulas de musculação e de ginástica, além de realizar as demais atividades inerentes à sua formação.

Conforme revelou Robson, para os empresários interessados em trabalhar com uma cooperativa é firmado um contrato de prestação de serviços, no qual serão descritas as atividades que terão uma gestão especializada da entidade. “O contrato não tem carência e nem taxa de rescisão. O empresário só paga pelos serviços da cooperativa quando estiver com um cooperado em atividade. Dessa forma, não existe custo fixo, e o empresário tem maior flexibilidade para aumentar ou diminuir o quadro de pessoal, principalmente, para cobrir licenças de outros professores ou em períodos de maior demanda na academia, como exemplo, o verão. Os valores do contrato são cobrados por hora/aula”, explica Robson.

Já os professores e estudantes de educação física, por sua vez, que quiserem trabalhar por cooperativa, devem participar de uma reunião de admissão, quando serão apresentados o estatuto e o regimento interno da entidade. Nesse momento, o interessado pode assinar uma proposta de admissão e fazer a entrega de documentos pessoais, além de integralizar a quota-parte (compra de quota para ter direito a singularidade do voto, clientes e clube de benefícios).

Importante lembrar que para serem cooperados, os profissionais de educação física devem possuir obrigatoriamente registro no CREF (Conselho Regional de Educação Física).

Os estudantes também podem se beneficiar desse conceito de trabalho, uma vez que por meio da cooperativa existem oportunidades de estágio para os estudantes que cursam Educação Física.

“No caso da Coopfit, a quota-parte tem o valor de R$ 100,00, e pode ser restituída no desligamento espontâneo do profissional da entidade. Dependendo do projeto que atuem, os profissionais também contribuem com taxa de administração, despesas com rateio e seguro de vida.  Já para os empresários os custos são 15% de INSS sobre a nota fiscal e sobre a hora/aula das atividades realizadas”, complementa.

Direitos assegurados

Segundo Robson, os profissionais cooperados têm todos os seus direitos preservados, com exceção do seguro-desemprego. Ele explicou que a diferença é que o regime CLT trabalha atualmente com depósito compulsório e tem prazos e regras para serem cumpridos. Na cooperativa, há uma política de ganhos superior ao piso da categoria de ao menos 30%, para compensar o FGTS, 13º salário e férias remuneradas, que são diluídos juntamente com a remuneração mensal. “Dessa forma, o profissional não precisará esperar o mês de dezembro para receber o 13º salário e também pedir a rescisão do contrato para sacar o FGTS. É por isso que o cooperativismo tem o poder da distribuição de renda”, orienta.

Ainda nesse aspecto, Robson esclareceu que com a entrada da Lei no 10.666/03 houve a unificação da previdência social para o trabalhador, contemplando os benefícios do INSS para todos. Hoje, essa alíquota é de 11% descontada diretamente na remuneração do cooperado e repassada para o governo. O cooperado tem direito ainda a aposentadoria especial por tempo de serviço, licença por afastamento de doença e/ou acidente e licença-maternidade. Já FGTS, contribuição sindical e outros não incidem sobre a folha de pagamento do cooperado.

De acordo com o diretor-presidente, o trabalho cooperado pode ser uma grande oportunidade para os profissionais de educação física desenvolverem suas carreiras. Uma das vantagens é a flexibilidade que esses cooperados têm para escolher o horário de trabalho e quanto e como ganhar sua remuneração nos clientes. Além disso, dispõem de todo suporte para viabilização de novos projetos (comercial, marketing e administração) fornecido pela cooperativa. Assim, os professores que desejam abrir uma empresa para atender condomínios, podem, em vez disso, apenas filiarem-se à cooperativa e receber uma assessoria completa.

Dessa forma, os profissionais são ‘microempresários’, pois todos os serviços executados têm à contrapartida de uma nota fiscal. Para os empresários, as vantagens são também inúmeras: menor custo com turn over, sem custo para licenças (maternidade e acidente do trabalho), formalização da relação trabalhista, recursos humanos (recrutamento, treinamento e seleção de professores), departamento pessoal (a folha de pagamento passa a ser gerida pela cooperativa) e assessoria jurídica em reclamações trabalhistas.

“Trabalhamos em uma linha tripartite (cooperativa, cooperado e academia), onde todos são beneficiados. A cooperativa participa oferecendo cursos, treinamento, gestão administrativa, de marketing e comercial aos cooperados. Já os cooperados fornecem seu trabalho, prescrevendo e ministrando as aulas, desenvolvendo novos projetos e serviços com auxílio da cooperativa. As academias, por sua vez, participam contratando serviços especializados em fitness, com profissionais capacitados e habilitados”, ressalta Robson.

Marketing de rede

Para Robson, o cooperativismo agrega maior “competitividade” para os profissionais, pois propicia maior remuneração, menor custo para viabilizar os projetos, networking (indicação de clientes e de cooperados em diversas áreas da educação física) para trabalho em equipe e ações de marketing (divulgação de currículo e serviços para o mercado de qualidade de vida).

“O principal diferencial está no ‘marketing de rede’, na possibilidade de desenvolver o seu próprio negócio, sem os altos investimentos que são necessários em um negócio tradicional (escritório, ponto, aluguel, estoque, empregados, administração, contabilidade, impostos etc.). O mercado de qualidade de vida está em crescimento. Hoje, o profissional de educação física tem o potencial de trabalhar em vários segmentos (academia, empresas, hospitais, condomínios e entidades governamentais), agregando a atividade física como um dos fatores para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Dentro dessa tendência, a cooperativa criou frentes de trabalho para atuar com programas nesses setores, entre eles o que mais se destaca é a gestão de academias em condomínios. Oferecemos, por exemplo, cursos de ‘Estratégia de Vendas em Condomínios’, onde os cooperados são envolvidos e ganham expertise para desenvolver seus próprios clientes e aumentar a sua carteira”, expõe.

De acordo com Robson, a adesão os profissionais à cooperativa tem sido muito boa. Hoje, a entidade conta com 180 associados, além de parcerias estratégicas com entidades do setor. “Temos um perfil de exclusividade para os atuais sócios da cooperativa, mas novos profissionais podem participar de uma reunião de admissão e fazer uma proposta de adesão. Para os empresários que desejam celebrar contrato de serviços, é preciso saber que no mundo dos negócios tudo tem um custo e não ‘precarizamos’ as condições de trabalho de nossos cooperados”, frisa.

 Dicas importantes para contratação de uma cooperativa:

Empresários - Analise o estatuto da cooperativa. Verifique se o objeto permite a prestação de serviços;- Verifique a inscrição na Receita Federal e na prefeitura local;- Firme um contrato de prestação de serviços cooperativos;- Certifique-se se existe registro dos profissionais e da cooperativa no Conselho Regional de Educação Física;- Peça indicação de clientes da cooperativa.
Professores - Antes de se associar, participe de uma reunião de admissão;- Faça cadastro de CCM (autônomo na prefeitura local);- Adquira quota-parte – isso dá direito à singularidade do voto e acesso aos benefícios da cooperativa;- Conheça os fundos obrigatórios;- Conheça o estatuto social e código de ética.

 

 Por Madalena Almeida, Jornalismo Gestão Fitness


0 0 743 01 fevereiro, 2013 Coaching e Carreira, Jornalismo, Liderança e Pessoal fevereiro 1, 2013

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