O Personal Trainer e as Academias: como criar uma poderosa parceria, conquistar mais clientes e ainda evitar uma guerra
O Personal Trainer e as Academias: como criar uma poderosa parceria, conquistar mais clientes e ainda evitar uma guerra
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O Personal Trainer e as Academias: como criar uma poderosa parceria, conquistar mais clientes e ainda evitar uma guerra

 

Se você for um Educador Físico, Gestor de Academias ou proprietário, tenho uma advertência antes de prosseguir com esta leitura: coloque as emoções de lado e exercite sua capacidade de reflexão. Como dizia o grande Einstein, nossa mente é como um paraquedas, só funciona se estiver aberta. Então desarme, e depois prossiga.

Imagine um médico indo atender seus pacientes, e ao final do dia, ele ter que “acertar” a taxa de pacientes. Isso mesmo, ele ter que pagar para atender cada um de seus pacientes. Você deve estar se perguntando, que piada é essa, professor? Não é piada, isso acontece a cada segundo com os Profissionais de Educação Física que atuam como Personais Trainers em academias. Todos os dias, eles pagam taxas e taxas “abusivas” para atenderem seus alunos.

Muitas academias, tentam debater esse argumento, afirmando veementemente, que a “taxa de personal” deve ser cobrada, porque ela “cobre os custos do negócio e do cliente”. Meu caro leitor, isso mesmo, não estou contando outra piada, afirmam, descaradamente, apoiados em “falsas verdades”, que esse caminho é o mais justo e correto.

Com base nessa sucinta introdução, vamos as reflexões:

O custo com o aluno já não deveria estar incorporado no plano de negócios da empresa?

O aluno já não pagou seus custos com o valor da mensalidade?

Quando o aluno contrata o personal, o custo da empresa não diminui? Já que seu atendimento será “terceirizado e exclusivo” pelo personal!?

É simples a conta, qualquer criança conseguiria entender: o professor de hoje, que atua no mercado de academias, em uma sala de musculação, recebe em torno de R$ 7,00 hora/aula para trabalhar, e paga, em média, R$ 25,00 reais a taxa, por hora/aula. Lembrando que não é ilegal cobrar essas taxas, inclusive, do ponto de vista jurídico. Esse texto não tem o objetivo de discutir essa questão, se deve ou não taxar, mas sim, discutir o fenômeno que tem causado esse tipo de mentalidade.

É um fato, que o que é produzido atualmente por um professor de Educação Física, contratado pelas academias, é infinita vezes maior do que ele ganha, isto é, um modelo de escravidão moderna. Antigamente, gastava-se muito para comprar o escravo, mantê-lo com saúde, bem alimentado e vigiado. Hoje, o modelo evoluiu, pois, a conta de antigamente não fechava, saía caro demais “ toda essa manutenção”. Contudo, o novo “escravo” de nossos tempos, precisa com essa “produção” se manter bem alimentado, com saúde, “feliz” e seguro, senão outros escravos tomarão seu lugar – outros, que nem precisam ser melhores do que ele, apenas mais desesperados.

É tão perverso o modelo, que você produz milhões em valor, e recebe uma geladeira de bônus ao final do ano, ou um fim de semana num camping, claro, você deve levar a sua própria barraca.

Vem comigo, e admita, se esse Personal tiver um bom desempenho, ele sozinho, já não pagaria os salários de mais de três professores?

Quando o personal trabalha, ele também não contribui para aumentar os índices de fidelização de clientes?

Ele não colabora para melhorar o atendimento e trazer novos alunos? E cada novo aluno que se matricular na academia pela indicação do Personal ou de seus alunos, o retorno dessa mensalidade não será maior que a taxa dos 25 reais?

Outro ponto simples, pergunte-se, qual lado seria melhor focar: aumentar o número de alunos ativos e retenção do negócio por meio de parcerias verdadeiras e sólidas com os personais? Ou manter o foco nas taxas e ficar nas tentativas frustradas de algum dia ser verdadeiramente parceiros? Que tipo de resultados estão sendo buscados nesse tipo de negócio?

E se você for gestor ou dono de academia, reflita: porque está cada vez mais difícil contratar bons professores de educação física? E porque a maioria está buscando abrir o próprio negócio e não mais tentar “arrumar” um emprego como professor de alguma academia?

Meu querido leitor, veja o quanto o mundo mudou, e como todo esse modelo arcaico deve ser repensado e reformado. Um dos problemas centrais, que imbrica nesta dinâmica apequenada e amadora, é que a grande maioria, sejam eles “os donos das academias” ou os “educadores físicos” não buscam se desenvolverem como empreendedores, vivem tomando suas decisões com base em medos, crenças e achismos.

Esse texto, não tem a intenção de enaltecer os Personal Trainers, pelo contrário, estou aqui afim de fazer uma crítica ao sistema de trabalho que deve ser atualizado, pois não estamos mais no século XVII. No século XXI, o que deve reinar é o sistema de meritocracia atrelada as parcerias, pois a economia mundial está sendo alimentada e orientada pelo compartilhamento, pelas trocas de serviços, pelo sistema de trabalho em rede – já era o modelo do senhor de engenho e escravo. Atualmente, quanto mais resultados, maior deve ser a remuneração, satisfação, liberdade de tempo e geográfica.

Em uma análise mais profunda, a educação física está vivendo a tragédia do retrocesso psíquico, que está reduzindo os profissionais a simples escravos medrosos, explorados pelos “os donos do capital”, e tristemente, ocultados, pelo cinismo e alienação de muitos amigos de profissão – amigos de profissão, porque quem criou esse sistema apequenado, com baixa produtividade e perverso, não foram as academias, mais os educadores físicos! Esse sistema é fruto do Mindset coletivo, da grande massa, que não deveria intitular-se Profissionais de Educação Física, porque Profissionais não pensam nesse nível, não aceitam propostas assim, talvez, o correto seria, utilizar “Amadores de Educação Física”.

Amigos, desculpe a “pá virada”, mas a situação já passou de todos os limites. É inacreditável o quanto de sangue que está sendo jorrado neste mercado tão frutífero! Será, que esse era o futuro que os grandes educadores físicos do passado sonhavam? Até onde serão os limites dessa “dominação”? Quanto mais “produtos enlatados” nossa classe aguenta?

Percebam, estão fabricando sobre a Educação Física uma segunda natureza!

E olha, ainda temos que dizer, que aguentamos toda essa exploração, porque “amamos” a profissão?

É preciso, urgente, despertar a consciência coletiva de nosso campo, senão, a dominação e exploração, provocará crises e estragos ainda maiores, tanto para as academias quanto para os educadores físicos.

A luta deve ser política e não econômica. O aumento dos salários não é o objetivo, mas sim, a busca por “mudar o rumo” da Educação Física, superando os limites impostos pelo sistema de exploração, “adestramento” e “violência simbólica”; permitindo, aos Educadores Físicos, que se libertem de suas amarras, saindo da posição defensiva, para ofensiva, por meio de revoluções intelectuais, que possam alargar a consciência de todos, clarificando, e dando o verdadeiro valor, brilho e EXISTÊNCIA, a essa bela profissão que tem ajudado milhões de pessoas em todo mundo.

É preciso acordar, e parar essa “bola de neve”, porque essa mentalidade apequenada, castradora e covarde, já invadiu e cegou a Educação Física, e com isso, muitos estão perdendo a capacidade de elaborar críticas, reflexões, pensamentos e competir de maneira digna e sofisticada.

É preciso mudar, resgatar e ampliar urgentemente a parte “Pensante” do processo, dando voz e autonomia, aqueles e aquelas que buscam transformações mais justas e reprodutivas.

Leonardo Peracini possui um currículo multifocal. É Professor, Consultor Empresarial, Escritor, Psicanalista, Logoterapeuta, Palestrante Profissional, Infoprodutor. Foi durante muitos anos Administrador na Rede de Academias Companhia Athletica e Fisiologista do Exercício, Educador Físico, Consultor pela Bradhon, membro da ALB de Araraquara, ocupando a cátedra de imortal n.59, Mtd. Enfermagem Psiquiátrica pela USP de Ribeirão Preto, Especialista em Gestão Empresarial pela FGV, foi Líder da disciplina de Gestão e Professor da Pós Graduação do Centro Universitário Moura Lacerda, Palestrante no TEDx, Fundador da Principal Escola Online do Mercado Fitness – EducaFit e Executive Director na empresa Contém 1g Magic. O Professor Leonardo Peracini tem obras publicadas no Brasil e Europa, entre elas “Além da Liderança e Sendo Humano”, ele é reconhecido por ajudar as empresas e as pessoas a construírem resultados e propósitos excepcionais através da sua inovadora metodologia de trabalho.

 

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Thais Almeida é diretora e curadora de conteúdo deste portal.

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